27 agosto, 2008

Acho que a minha geração ouviu falar de Charles Chaplin na escola. Todo professor de história já passou Tempos Modernos para mostrar a produção em série e a crítica ao capitalismo. Já dava para pecerber que Chaplin era especial. Mas é preciso crescer para entender o quanto.



No último sábado, vi aquele filme sobre ele, Chaplin, estrelado pelo Robert Downey Jr. Um parênteses: eu não gosto deste ator; acho ele um mala sem alça espancador de mulheres. Mas dou o braço a torcer - ele está perfeito como Chaplin. Voltando, este filme me fez entender a real importância de Charles Chaplin para o cinema.

Ontem, pude rever O Garoto na aula de cinema. Não tenho vergonha de dizer que chorei. Choro mesmo. Acho que O Garoto é o filme mais singelo e encantador de todos os tempos (ao lado de O Jardim Secreto). "Um filme com um sorriso e, talvez, uma lágrima".



Quero ver mais e mais Charles Chaplin.

21 agosto, 2008

O Yuri me contou que soube de um cara que gostava de ver filmes com fratura exposta. Eu gosto de ver filmes chineses de época. Aqueles com lutas bonitas, cenários magníficos, fotografia exemplar e um figurino colorido. Tipo O Tigre e o Dragão, O Clã das Adagas Voadoras e Herói. Bom, vi apenas algumas cenas deste último e me pareceu ótimo.



Não me perguntem por quê gosto desses filmes. Eu não sei explicar. Eu gosto de artes marciais. Os assuntos são os mais comuns: gente brigando por amor e poder. E acho incrível como arranjam chinesas e chineses bonitos.

Na verdade, eu gosto das lutas e das roupas bonitas.



Também gosto dos filmes nos quais o Al Pacino grita alguma coisa - qualquer coisa. Mas isso fica pra depois.

14 agosto, 2008

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.

É sempre bom lembrar
Que o ar sombrio de um rosto
Está cheio de um ar vazio,
Vazio daquilo que no ar do copo
Ocupa um lugar.

É sempre bom lembrar,
Guardar de cor que o ar vazio
De um rosto sombrio está cheio de dor.

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar.
Que o ar no copo ocupa o lugar do vinho,
Que o vinho busca ocupar o lugar da dor.
Que a dor ocupa metade da verdade,
A verdadeira natureza interior.

Uma metade cheia, uma metade vazia.
Uma metade tristeza, uma metade alegria.
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor.
A magia da verdade inteira, todo poderoso amor.

É sempre bom lembrar
Que um copo vazio
Está cheio de ar


(Acho essa música tão bonita...)

07 agosto, 2008


Quando acordou, o padre foi verificar se ela estava morta. A beata não respirava. Ele pediu perdão a Deus como quem já não crê em mais nada. Às vezes, muitas vezes, na verdade, fazemos as coisas por puro costume. Anos e anos rezando a mesma missa, pregando os mesmos sermões, ouvindo os mesmos pecados. A vida de um padre é somente rotina. Este padre em questão cansou dos dias iguais. Queria experimentar as idéias que rondavam sua mente.


Da primeira vez que experimentou, sentiu nojo de si próprio. Como pude, como pude, meu Deus? Logo percebeu, porém, que sentia pura culpa cristã – essa que a maioria dos humanos sente todos os dias, várias vezes. Pois o homem, o padre, viu que era bom e experimentou outras vezes. Sentiu prazer. Sentiu-se forte por dominar o frágil. Encontrou poder. Pensou ser maior que o criador.


Mas ela descobriu. A beata era bonita e poderia ter o homem que quisesse. Ela escolheu servir ao que não tem rosto nem forma nem voz. A beata descobriu. Ouviu um gemido que não vinha das orações do padre, que há muito tempo não orava mais. A voz do gemido era fina. A voz do gemido era de dor.


O padre tentou alcançá-la, mas ela trancou-se em seu quarto. Provavelmente, agarrou o terço, ajoelhou-se aos pés da santa e colocou-se a rezar. Clamou misericórdia. A beata rezou pelo padre e pelo dono da voz. Sempre se esquecia de si própria. O padre voltou para seu quarto, bateu no dono da voz. A cabeça do padre estava muito confusa. Ele fora descoberto. Ele poderia negar, negar três vezes. O padre sentia raiva da beata que era bonita. O padre foi tendo idéias que vinham da mente ardilosa do diabo. O padre sentiu medo. Refletiu. Ponderou. Decidiu unir-se ao inimigo.


Certificou-se de que não havia ninguém nos corredores. Bateu à porta do quarto da beata três vezes. Ela hesitou, mas abriu e o deixou entrar. Ele pediu perdão. Clamou misericórdia. A beata disse que ele seria julgado pela justiça divina. O padre ouviu o sussurro do diabo. Não precisou de força para jogar a beata na cama. Ela não se debateu. O padre a sufocou com um travesseiro de penas de ganso. Depois, a acomodou como se estivesse dormindo com os anjos.


O padre voltou para o quarto. E chorou. E riu. E disse ao diabo que iriam acertar as contas. O diabo disse que é o único que tem algo a receber. O padre sentiu vergonha de Deus. Ele queria o dono da voz do gemido. Abraçou-se ao travesseiro e dormiu um sono novo.


Quando acordou, o padre foi verificar se ela estava morta. A beata não respirava. Ele pediu perdão a Deus como quem não crê em mais nada. O padre voltou para o quarto. Em breve, voltaria para o dono da voz do gemido. O padre sentiu-se livre, mas não mais livre do que a beata morta.